21/11/11 | Opinião

Cinco coisas que odeio nas cervejas especiais

Se tem uma coisa que blogueiro gosta de fazer é reclamar. Entre xingar muito no Twitter ou falar que é uma puta falta de sacanagem certa cerveja não ser lançada aqui no Brasil, nós pensamos em outras coisas pra reclamar. Assim, seguindo os passos do parceiro Bebendo Bem, decidi fazer a minha lista das cinco coisas que mais me irritam nas cervejas especiais. Veja comigo!

Rio de Janeiro: Foi a primeira cidade do Brasil a ter uma Associação de Cervejeiros Artesanais. Depois vieram São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, mas não necessariamente nessa mesma ordem. O que o Rio de Janeiro tem hoje de cervejas artesanais? Além da Cervejaria Fraga, nada! Os cervejeiros daqui não empreendem, não organizam eventos e adoram viajar para aproveitar isso nos outros estados.

Ego Cervejeiro: Você pode ser o melhor amigo do mestre cervejeiro daquela fábrica desconhecida no interior do Acre, mas nunca, eu disse NUNCA, fale mal ou diminua a cerveja que ele produz. Assim como artistas de vanguarda, cervejeiros são muito apegados a suas obras e você pode arruinar uma amizade para sempre, ou pelo menos por algumas semanas, ao criticar um produto que você não gosta. Melhor ficar quieto ou ser político!

Alta Gastronomia: Faisão empanado em trufas marroquinas harmoniza com uma lambic envelhecida 17 anos e 3 meses em barris de cedro da Califórnia? Não sei e provavelmente nunca vou descobrir. A maior parte das harmonizações sugeridas são quase impossíveis de se realizar e o trabalho necessário desanima qualquer Hércules. Melhor se virar com o que tem na geladeira e dar vivas a Zitolaricologia!

Beer Snob
Beba menos, beba melhor: Substituir 3 cervejas “comuns” por uma especial, essa é a idéia do lema Beba Menos, Beba Melhor. Isso até poderia funcionar, mas as três cervejas são trocadas por três especiais, com cinco vezes o teor alcoólico. O resultado dessa equação é fácil perceber quando o evento começa ao meio dia e termina a noite.

Amadorismo: O mercado de cervejas especiais no Brasil ainda não pode ser realmente chamado de mercado. São dezenas de cervejarias reclamando do governo, mas ninguém se organiza para mudar alguma coisa. Além disso, questões de marketing são tratadas pelos cervejeiros ou pelos próprios donos das cervejarias, o que não leva a um pleno aproveitamento do único meio disponível para a propaganda, as mídias sociais.


Nicholas Bittencourt. Analista de sistemas, nobre bacharel em Direito, fotógrafo, cervejeiro e blogueiro. Quando sobra tempo, também faço pipoca.

Comentários

  • 21/11
    12:08

    Sendo do Rio de Janeiro, só posso concordar com todos os pontos.

    Tive que rir com o #3, pois é exatamente isso que vejo quando leio sobre ‘harmonização’.


  • 21/11
    12:09

    Perfeito! Cinco coisas que realmente incomodam e que devem ser motivo de reflexão por todos. Parabéns!


  • 21/11
    12:17

    Deve ter muito sobrinho cuidando do marketing e da linguagem visual de algumas cervejarias.


  • […] quanto estiver avaliando a receita de um amigo, pois os comentários devem ser construtivos. Como todo cervejeiro é meio estrela, algumas pessoas podem se sentir seriamente ofendidades com um comentário mal interpretado. […]


  • 100% realidade, salvo exceções.
    O mais intrigante é ver que posts antigos podem ser “repostados” sem muita alteração.
    Mercado a passo de tartarugas em alguns pontos.
    Excelente texto.


  • 22/04
    17:16

    Esqueceu mistura clássica


  • […] cerveja e formar sua opinião, um feedback pode ser bem aproveitado pelas cervejarias. Claro que o ego de cervejeiro é algo muito frágil e por isso você deve escolher muito bem a forma como apresenta sua opinião. […]


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