04/05/12 | Opinião

Cerveja de Verdade: aqui, e de volta outra vez!

Há perto de um ano atrás, um grupo de blogueiros se reuniu para espalhar uma marca que ficou na memória de muita gente pelo Twitter e outras redes sociais, a #cervejadeverdade. Em uma primeira leitura, é fácil questionar quem somos nós para dizer que uma cerveja é de verdade ou de mentira. Afinal de contas, quem diz se a cerveja é de verdade é o seu consumidor.

Um das premissas dos sommeliers de cerveja, profissão essa tão destacada hoje em dia, é que não devemos fazer juízo de valor das cervejas pelos seus atributos. Isso seria mais um argumento de que não há cerveja de mentira, apenas cervejas que combinam com situações distintas e públicos distintos.

Real Ale

Lendo o livro Design Great Beers, do Ray Daniels, me deparei com um fato interessante, onde o autor diz (tradução livre):

Então, com a maturidade, as porter passaram a tomar o caminho da economia, sacrificando a qualidade pelo uso de ingredientes supérfluos, açúcar e adulteradores.

Ainda temos na Inglaterra o movimento Campaign for Real Ale, o CAMRA, que além de prestigiar as cervejas tradicionalmente inglesas, busca voltar as origens no consumo e na forma de se servir a cerveja, que perderam um pouco da graça para seus seguidores.

Então porque não fazer algo similar aqui no Brasil? Por que não podemos destacar as cervejas que achamos “de verdade”?

Melhor então é nem precisar taxar a cerveja como “de verdade”, basta que ela fale a verdade para mim como consumidor. Não adianta se gabar de ser uma cerveja importada, para um público distinto, se ela é fabricada no interior de São Paulo. Por que a água do Rio Sana é melhor para o estilo se hoje possuimos processos suficientes para fazer uma água parecida com a de Burton-on-Trent, na Inglaterra.

Só o que quero é que acabe a propaganda enganosa, as campanhas de marketing e todo esse processo onde não se fala de cerveja, mas de mulheres objeto, homens que bebem para ficar mais legais em um país de calor e praia o ano inteiro. Se a sua cerveja não estufa, se ela é preparada em zero absoluto ou se suas leveduras ouvem canto gregoriano, meus parabéns, mas mostre isso no meu copo!

Imagem: Guy Fawkes Inn