13/07/13 | Clipping

Oportunidades e desafios de um setor artesanal – IG Economia

“O mercado está sedento por novos rótulos, mas a distribuição das microcervejarias recém-nascidas ainda não dá conta disso”. A afirmação do empreendedor Ériton Soares, que há um ano começou vendendo cervejas premium na internet, recentemente abriu loja própria e já engatilha a expansão em franquias, reforça o desafio de um setor na área de logística.

“É como um trem largo e moderno que precisa transitar em vias antigas e estreitas”, acrescenta ele. Com cerca de 600 rótulos dos 800 disponíveis no mercado interno, entre bebidas nacionais e importadas, Soares, da Beer4u, é taxativo quando questionado pelos clientes que entram em sua loja em busca de marcas alternativas.

“Eu quero muito em breve oferecer ao cliente todos os rótulos que existem aqui, mas há muitos produtos de qualidade que não estão nem no mapa. Isso leva um tempo. E não tenho como vencer essa barreira. Quem fizer essa logística vai desatar o nó na cadeia que existe do produtor até chegar ao consumidor final”, acrescenta ele.

O assunto em questão não são rótulos como Bamberg, Baden Baden e Colorado, microcervejarias que alcançaram uma importante fatia no mercado que cresce 15% ao ano, segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv). Entre as empresas nascidas no interior de São Paulo e que compartilham do excelente momento do mercado e dos desafios para o crescimento estão nomes como Prada e Bier Nards.

Instalada há cerca de dois em Rio Claro, a Prada já chega em alguns pontos de venda na capital paulista. No entanto, o caminho a ser seguido apresenta horizontes infinitos. O difícil é seguir as trilhas.

“Os acordos estão começando a surgir agora. Há candidatos por todos os lados. De Rio Preto até o Rio de Janeiro, mas é preciso amarrar bem essas parcerias e estruturar a fábrica de acordo com a demanda crescente. Mas, com bons acordos de distribuição, consigo visualizar um aumento na demanda para 2014 de 30% a 40% em relação ao atual momento”, diz Cezar Souza, gerente da Prada.

Um desses parceiros é Marcelo Barsotti, que deixou o ramo de ferramentas para representar a marca em São Paulo. “Se você faz o negócio crescer, você estoura junto com o produto”, explica ele, que espera reverter o investimento de R$ 70 mil aplicados em dezembro do ano passado até o início do ano que vem.

“Tem caminhado muito bem. Já valeu a pena, apesar das dificuldades. Uma delas é que quase sempre a própria cervejaria ainda não está preparada para determinadas demandas e você acaba puxando isso. Os dois lados crescem”.

Em um estágio ainda mais inicial, a Bier Nader, microempresa instalada em Jundiaí no ano passado, ainda aguarda a regularização do registro do produto para ampliar a comercialização. O proprietário Daniel Bernardis, no entanto, já sabe qual será sua grande dificuldade.

“Hoje vendo para amigos e aqui na fábrica. Quando conseguir o registro dos produtos (que ainda estão em aberto no Ministério da Fazenda), a logística vai ser o meu calcanhar de Aquiles. Por isso, estou atento na ampliação do maquinário de produção e na estocagem para suprir a rede de distribuição que pretendo estabelecer já no curto prazo”.

No varejo, Janaína Vicentin, diretora-geral da Cerveja Store, e-commerce que deve ganhar loja física ainda este ano, aguarda a revolução de um setor artesanal para a comercialização contínua de produtos cada vez mais procurados.

“Já conseguimos fechar alguns lotes dessas cervejas. As vendas foram um sucesso. A dificuldade é manter a continuidade dessa engrenagem”, finaliza ela.

Kibado do IG Economia