13/12/13 | Opinião

Este é mais um texto sobre o preço da cerveja no Brasil

Eu sei que a cerveja no Brasil tem uma carga de 60% de impostos. Sei que os fiscais do MAPA são vorazes ao avaliar uma cerveja e liberar ou não sua comercialização. Sei que ser empresário carrega uma cruz diariamente com a legislação brasileira. Mas algumas vezes fica difícil saber quanto é justo o consumidor pagar por essa conta…

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Como exemplo do que falo, vejam o preço da cerveja na imagem acima. Sim, senhores! Setenta e dois reais em uma garrafa de 330ml de cerveja Sierra Nevada. Considerando que um pack com 12 garrafas custa próximo a 14 dólares nos Estados Unidos, a cerveja aumenta 24 vezes de preço até chegar a nós consumidores brasileiros.

Poderiam alegar diversas coisas para essa formação de preço, mas quando a mesma garrafa foi vendida a 18 reais no Mondial de la Biere pela Buena Beer, ficou difícil justificar tamanha variação. Ainda assim existem consumidores que, por amor ao produto ou pura ostentação, pagam o valor cobrado pelo estabelecimento.

Isso ocorre porque não temos um preço de referência que nos diga o quanto devemos pagar por uma cerveja de baixa qualidade, mediana ou excepcional. Qual o valor de uma cerveja do tipo Bohemian Pilsner? Se essa cerveja ganhar uma, duas ou várias medalhas em competições internacionais, o preço deve subir? Fica difícil responder a tais perguntas sem a devida maturidade…

Da mesma forma que aconteceu com as Standard Lagers, pode ser que posso mercado vá se alinhando com o tempo, principalmente forçado pelo consumidor. Ao comparar duas cervejas com características semelhantes, ele já teria uma noção de o que é uma cerveja barata ou uma cara, para aquela categoria de produto. Saberíamos também com base no lugar onde bebemos a cerveja.

Hoje ainda somos imaturos! A formação de preço acaba sendo definida por, usando termo em inglês, guesstimate, uma mistura de chute e estatística. Existem os cálculos do estabelecimento, a fim de cobrir impostos, despesas e afins, mas uma parcela desse valor ainda é feita no achômetro, o que leva a discrepâncias.

Não adianta acusar de má fé ou tentar estabelecer regras de formação de preços para cervejas. Apenas seguimos pagando o quanto podemos enquanto produtos de preço elevado sem a devida qualidade vão ficando parados. Os preços baixam e assim encontramos um ponto de equilíbrio.


Nicholas Bittencourt. Analista de sistemas, nobre bacharel em Direito, fotógrafo, cervejeiro e blogueiro. Quando sobra tempo, também faço pipoca.

Comentários

  • 13/12
    10:59

    Do ponto de vista do consumidor realmente não é o ideal, mas do ponto de vista do empresário é o que garante a continuação da loja dele. O consumidor que comprou a torpedo no Beershop sabia que até o Mondial, era o único meio adquirir a cerveja, logo, a beershop podia cobrar mais por isso. Eu vejo muitos blogs falando de preços de cerveja, mas esquecem da máxima oferta/demanda. Se o empresário tem um número limitado de garrafas para vender e uma procura grande, pq botar preços baixos? O papel das lojas de cerveja e afins não deve ser a balela de ‘espalhar a cultura cervejeira”, mas sim de gerar lucro mesmo. O fato de mais pessoas saberem de cerveja vai botar comida na mesa do cara? Ainda, se você for comparar preços, vai ver que os da beershop são bem justos e mais baratos que muitas outras lojas. Abraços


  • 13/12
    11:50

    Bom dia pessoal, estou montando um loja em Curitiba especializada exclusivamente em cervejas nacionais. Como a nossa produção é constituída de pequenas cervejarias, sem sistema de logística e distribuição próprios, bem como o nosso país possui dimensões continentais, o fator que duplica, triplica ou mais o valor do produto é a quantidade de intermediários envolvidos desde que a cerveja saí da produção e vai até o comércio varejista, a final para cada intermediário adicionado a cadeia produtiva maior será a incidência de imposto, custos e lucros. Enquanto os fabricantes não encontrarem a fórmula ideal de logistica e distribuição iremos ficar na mão dos intermediários, que por possuírem muitas vezes a exclusividade de distribuição, impõem ao varejo preços exorbitantes. A primeira medida paliativa seria evitar os contratos de exclusividade, obrigando os intermediários a brigarem entre sí pelo menor custo e margem de lucro mais razoável. O mesmo pensamento vale para produtos importados, pois as importadoras que são intermediários impõe ao mercado o valor que melhor atende aos seus interesses, uma vez que seus produtos também são importados com exclusividade. SÓ TEREMOS PREÇOS JUSTO QUANDO HOUVER LIVRE CONCORRÊNCIA DE MERCADO.


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