17/10/14 | Opinião

Se você não sabe vender seu produto, não sou eu quem vai comprar

Ontem, ao almoçar em um restaurante que trabalha com cervejas especiais, vi um lançamento de uma cervejaria local, a Noi Cioccolato. Anunciada no cardápio apenas como Russian Imperial Stout, o preço de 52 reais me pareceu excessivo em comparação às concorrentes do mesmo estilo, o que me fez escolher outra cerveja.

Crédito: A Perua da Cerveja

Crédito: A Perua da Cerveja

Puro engano meu! Ao procurar saber mais sobre a cerveja, além de descobrir que foi feita pelo Clovis Bornai (no quesito Hors Concours) das cervejas caseiras, o ilustríssimo Cazé Napier, vi que a receita leva “cacau em pó e em nibs, baunilha em fava e ainda chips de carvalho francês embebidos em uísque”, segundo o blog A Perua da Cerveja. O preço se tornava, claro, justificado.

Porque eu não tinha todas essas informações ao escolher a cerveja?

A primeira falha, claro, é da cervejaria, pois ela é responsável pela elaboração do rótulo, onde deveria constar algum diferencial do produto. Como o rótulo da Cioccolato segue a mesma identidade visual dos demais, como saber que se trata de uma série limitada?

Depois vem a culpa do restaurante, que até pode ser relevada por causa da cervejaria. A cerveja estava em uma seção dedicada aos lançamentos da semana, mas nenhuma outra informação era dada sobre a cerveja, pelo menos que tenha me chamado a atenção. Olhando lado a lado com outras cervejas ali presentes, porque escolher aquela em detrimento das outras?

Existem algumas lições que podemos aprender com isso, mas acredito que a principal é deixar de acreditar que a cerveja se vende sozinha. O discurso que quem decide a receita é o cervejeiro, não o marketing, é lindo do ponto de vista ideológico, mas sem o marketing sua cerveja vai continuar parada na prateleira juntando poeira.