04/08/15 | Economia e Mercado

Goose Island conta o que muda nas cervejarias compradas pela Ambev

Cervejeiros da Goose Island explicam o que mudou nas suas vidas após a aquisição pela Ambev

Com a chegada da Goose Island, cervejaria de Chicago, no Brasil, fui convidado a participar de um evento organizado pela Ambev no Bar do Botto, situado na Praça da Bandeira, no Rio de Janeiro. No evento, com participação dos cervejeiros da Goose Island e de José Felipe Carneiro, da Cervejaria Wäls, foram degustadas cervejas da marca e feita uma espécie de coletiva de imprensa para os ali presentes.

José Felipe Carneiro, da Wäls, apresenta a equipe da Goose Island (Crédito: Nicholas Bittencourt)

José Felipe Carneiro, da Wäls, apresenta a equipe da Goose Island (Crédito: Nicholas Bittencourt)

Como a Cervejaria Goose Island faz parte do grupo AB Inbev, tendo sido comprada em 2011, foi a oportunidade de ter um vislumbre do que pode acontecer com as cervejarias brasileiras que estão passando pelo menos processo, como a Wäls e, mais recentemente, a Colorado.

Perguntei ao mestre cervejeiro Mike Siegel o que mudou após a aquisição pela gigante cervejeira. O que era pra ser uma pergunta um tanto quanto constrangedora foi respondida com tranquilidade e naturalidade pelo cervejeiro. Segundo ele, nos primeiros momentos não aconteceu muita coisa interessante em relação ao mundo cervejeiro, já que eram tratadas apenas questões burocráticas, como contratos de trabalho e benefícios.

Mike Seagal, cervejeiro chefe da Goose Island, conta sua história e mostra suas cervejas (Crédito: Nicholas Bittencourt)

Mike Seagal, cervejeiro chefe da Goose Island, conta sua história e mostra suas cervejas (Crédito: Nicholas Bittencourt)

Com o passar dos meses, começaram a receber investimento e recurso, permitindo a atualização do equipamento de produção e também a consultoria e uso de recursos das outras plantas, como laboratórios que permitiram um melhor controle de qualidade das cervejas ali produzidas.

As cervejas de linha, como a India Pale Ale e a Honkers Ale (Bitter), passaram a ser produzidas em plantas de maior capacidade, liberando a planta original, de Chicago, para projetos autorais, como a famosa linha Bourbon County e as cervejas da linha belga. Nesse momento, todo o controle de qualidade das cervejas produzidas externamente continuou com a Goose Island.

O argumento definitivo veio em relação aos insumos adquiridos pela empresa. Além do maior poder de negociação em relação a cevada, o que ajuda a melhorar a qualidade do material usado, a cervejaria recebeu acesso a Elk Mountain Farm, uma fazenda de lúpulos situada próxima a fronteira com o Canadá onde são cultivados os lúpulos da AB Inbev. Nessa mesma fazenda, José Felipe Carneiro já está fazendo uma visita para a produção de uma cerveja colaborativa nos Estados Unidos.

Se para as cervejarias que foram compradas, a perspectiva é de melhoria no processo pelos motivos que vimos acima, para o mercado de cerveja artesanal, o que inclui as centenas de microcervejarias espalhadas pelo Brasil, só o futuro pode dizer os frutos dessas parcerias que estão se formando.