16/12/15 | Propagandas

Por que seguimos os maus exemplos das propagandas de cerveja?

Em um mercado onde afirma-se que a cerveja artesanal se vende por ser um produto diferenciado, por que algumas microcervejarias insistem em se promover através de outras cervejarias maiores, chegado ao ponto de ofender os consumidores?

A prática de fazer propaganda comparativa é até comum nos Estados Unidos. Coca Cola e Pepsi tem um histórico de rivalidades, com propagandas das marcas fazendo comparações bem humoradas entre si, muitas vezes com resposta à altura da concorrente.

No Brasil, no entanto, essa prática é proibida pelo CONAR, conselho de autoregulamentação publicitária. A forma que a Nissan atacou GM, Honda e Fiat, apenas fazendo comparação entre características dos veículos e serviços das montadoras, pode levar até mesmo à remoção da propaganda da marca, caso haja a condenação pelo órgão.

Com a cerveja não poderia ser diferente!

É mais que comum vermos propagandas de grandes cervejarias satirizando a produção de cerveja caseira ou mesmo as artesanais. Em uma propaganda veiculada em 2010, a cervejaria alemã Beck fazia troça com a higiene na produção de cerveja caseira, em uma estratégia de medo para espantar o consumidor.

Beck versus Cervejeiros Artesanais

Ao mesmo tempo, apesar da aquisição de diversas cervejarias artesanais, seja nos Estados Unidos ou no Brasil, a AB Inbev também usa dessa prática. Durante os comerciais do último Super Bowl, o minuto mais caro da televisão mundial, a Budweiser, uma das marcas da gigante, aproveitou para usar as cervejas especiais como exemplo negativo.

Enquanto consumidores de cervejas especiais e cervejeiros caseiros se sentem ofendidos com algumas propagandas, adotam as mesmas práticas nocivas e ofensivas para divulgar seu produto.

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A até então desconhecida Lay Back Beer, marca voltada para skatistas, publicou em seu Facebook uma imagem acompanhada de um texto que, ao mesmo tempo que era machista, usando a velha fórmula da sexualização da mulher para vender cerveja, também ofendia o consumidor que tem preferência por rótulos de Standard Lager.

Itaipava e Playboy reforçando o clichê da cerveja e da mulher gostosa

A cervejaria já excluiu a publicação original, mas a reprodução se encontra disponível na página do Oráculo da Cerveja.

“Quem bebe Schin pode colocar gás no XIXI que é a mesma coisa”, afirma a cervejaria Lay Back Beer.

Com um toque de bom humor, mas ainda com comparação, a nova cervejaria Rio Carioca, afirma em sua propaganda que “Se não se comportar, Papai Noel vai trazer Itaipava”. Não que haja alguma reclamação por receber cerveja do bom velhinho, mas a comparação é com algumas culturas em que as crianças mal educadas recebem carvão de Natal.

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Nosso questionamento nesse momento deve ser qual o cerne das propagandas de cervejas especiais, principalmente quando feitas por microcervejarias.

Em um mercado onde defendemos que é o cervejeiro quem dita qual cerveja deve ser feita e não o marketing, por que a cerveja está sendo vendida usando das mesmas táticas baixas e ofensivas que suas concorrentes?

Queremos mais campanhas de cervejas artesanais sim, principalmente para que o mercado cresça e alcance mais consumidores, mas essa propaganda deve ser inteligente e inusitada, de forma a procuramos o produto pelas suas características, não por nos sentirmos inferiores ao consumir o concorrente.