19/01/17 | Economia e Mercado

Bares de São Paulo criam coletivo para democratizar o lançamento de cervejas artesanais

Com o crescimento do mercado de cervejas artesanais, o lançamento de uma nova cerveja é um evento essencial para a divulgação do novo produto entre o público e a mídia especializada. Alguns bares, já referência no setor, acabam conseguindo vantagens nesses eventos, realizando lançamentos no “dia zero” ou mesmo garantindo uma exclusividade do produto por alguns dias. Agora, um coletivo de bares de São Paulo se uniu para acabar com essa prática.

A proposta do Coletivo de Bares de Cerveja Artesanal é que os lançamentos de cerveja sejam oferecidos ao maior número de bares possíveis, com divulgação igualitária para todos os participantes da ação, inclusive no material promocional utilizado pelas cervejarias, seja impresso ou através de redes sociais.

O grupo afirma que há liberdade entre participantes para realizar negociações com a cervejaria em aspectos financeiros e da quantidade de produto que será disponibilizado para o evento. Dessa forma, o lançamento de uma cerveja pode ter suas peculiaridades em cada bar onde ocorrer o evento.

Nos comentários das publicações, começam a surgir teorias de que se trata de um movimento anti Empório Alto dos Pinheiros, bar tradicional da cidade onde são realizados lançamentos de cerveja. O coletivo se defende dizendo que as cervejarias são livres para negociar com o EAP, mesmo que ele não participe do grupo, além do bar em questão ter sido convidado a participar do movimento.

Caso as cervejarias não convidem todos os bares do grupo (os bares não precisam aceitar) para o lançamento de suas cervejas, o resultado será a colocação da cervejaria “na geladeira”, com um boicote por todos os bares por um período de dois meses.

Nesse ponto, vemos que o mais fragilizado com a prática é o cervejeiro que está começando no mercado. Uma exigência do grupo é que as tabelas de preço sejam públicas para os bares do grupo e enviadas ao mesmo tempo a todos os participantes. Assim, a cervejaria perde o poder de negociação com os bares, pois teria que ofertar a todos pelo mesmo preço, e o direito de priorizar clientes já firmados no caso do lançamento de uma próxima cerveja.

Cervejarias já estabelecidas no mercado, ou mesmo importadoras, dificilmente sofrerão a sanção praticada pelo grupo. Será que algum bar gostaria de ficar sem um lote de Stone Brewing que está chegando ao Brasil, mesmo com um dia de atraso ao lançamento? Ou perder a oportunidade de servir uma Rizoma III, da Dogma, mesmo na semana seguinte?

Enquanto o movimento cervejeiro no Brasil cresce, as relações comerciais entre toda a cadeia se tornam mais complexas, precisando cada vez de mais maturidade. Ao mesmo tempo que os bares se unem para se proteger de abusos por conta de outros bares, podem acabar prejudicando todo o resto da cadeia.

Para ler o manifesto do Coletivo de Bares de Cerveja Artesanal, bem como saber quais bares assinam a proposta, acesse a publicação no Facebook.


Nicholas Bittencourt.

Analista de sistemas, nobre bacharel em Direito, fotógrafo, cervejeiro e blogueiro. Quando sobra tempo, também faço pipoca.

Comentários

  • 19/01
    21:35

    Nicholas obrigado pela sua ótica em relação a proposta e embora em suma ela foi acertada um detalhe que deturpa totalmente o sentido do projeto precisa ser esclarecido.
    Em momento algum o manifesto faz interferência na soberania de negociação que deve ser feita caso a caso com os participantes (ou não) do projeto. Em momento algum esta proposto um nivelamento e exposição de preços, as negociações são privadas e individuais.
    O Nosso único pleito é o direito a acesso aos produtos na dada do lançamento, não estamos pleiteando evento de lançamento nos estabelecimentos participantes, se a cervejaria entende que o melhor seria lançar em Bar x ou em Bar Y é prerrogativa dela. Só pleiteamos acesso aos produtos em data unica a todos (participantes ou não)
    Atenciosamente
    Marcelo Games
    Cerveja Artesanal São Paulo


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